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Em homenagem a Doralice Xavier Alcoforado
11 de Novembro de 2007
Aos Professores, Estudantes e Funcionários do PPGLL
Envio o texto da Profa. Idelette Muzart-Fonseca dos Santos em homenagem à nossa saudosa colega Doralice Xavier Alcoforado, Professora do PPGLL, a grande amiga Dora, de quem aprendemos tantas lições.
Evelina Hoisel
Coord. PPGLL
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Os tempos são duros que nos obrigam, ano após ano, a chorar a perda de uma amiga, de uma intelectual, de um colega. Além das perdas mais íntimas, estas nos trazem lembranças e tristezas aparentemente mais distantes… mas a perda é a mesma, irreparável. Na noite de quinta 29 pra sexta 30, brotaram as mensagens eletrônicas : Doralice se foi, Dora será sepultada hoje à tarde.
Os amigos baianos quase todos, sabendo da nossa amizade, mandavam notícias, diziam sua tristeza. Escrevi para Fernando, não poderia estar lá mas a lembrança de Dora me acompanhou o dia todo. Para os amigos e para os que não a conheceram, gostaria de prestar homenagem a Doralice, falando simplesmente da amiga e da colega. Dora, Doralice Fernandes Xavier Alcoforado, era baiana, doce e sorridente, sempre atenta aos outros e procurando apaziguar em vez de guerrear… não por incapacidade de guerrear, mas sabia fazê-lo a seu modo sutil, convencendo o outro e levando para onde queria ir. Tinha conhecido a violência nos anos 60, contra Fernando, militante, e contra ela, sua companheira. Mas, discreta e modesta, não evocava estes anos de perseguição, nem assumia postura de ex combatente. Sua vocação e seu caminho sempre foram de paz, de solidariedade, de engajamentos coerentes e de abertura ao outro. Doralice era graduada e mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia, onde foi professora por muitos anos. Depois fez o doutorado em Literatura Brasileira na Universidade Federal da Paraíba e nos tornamos amigas além de orientadora e doutoranda. Dora entendia como poucos de literatura e de oralidade, de voz e de conto, de cordel e de cantos. Durante anos, com sua cúmplice em andanças de pesquisa, Rosário Suarez Alban, procurou romances e cantigas, contos e anedotas na memória viva dos Baianos, pelas ruas de Salvador, as vilas, os vilarejos e os sertões da Bahia. Doralice atuou desde sua criação no GT Literatura Oral e Popular da ANPOLL, que depois coordenou. Foi presidente da Comissão Baiana de Folclore e também assumiu responsabilidades na Associação dos Docentes da UFBA. Sempre disposta em orientar trabalhos e pesquisas, para passar seu saber e sua paixão pela cultura oral a outros estudantes e novos pesquisadores, acolhia com o mesmo entusiasmo o estudante baiano, nordestino, que queria descobrir a riqueza desta cultura, de “sua” cultura, e o pesquisador estrangeiro que procurava descobrir este estranho Brasil. A maioria de suas publicações (só ou em parceria) são baianas : – A escrita e a voz, Fundação das Artes, 1990 – O romanceiro ibérico na Bahia, Liv. Univ. 1996 – Contos populares brasileiros, Bahia, [este publicado pela Massangana, do Recife], em 2002 – Vozes do ouro : a tradição oral em Jacobina, pela UFBA, em 2004 – Histórias do Fundo do Baú, uma série de pequenos livros publicados pela UFBA sobre temas de tradição oral e finalmente sua tese de doutorado, transformado em livro, Belas e feras baianas : um estudo do conto popular.
Idelette Muzart Fonseca dos Santos
Réseau Pôle Brésil Université Paris X – Nanterre.
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